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Conception estreia no Brasil com show memorável recheado de simpatia

Grupo se conectou com público durante sua primeira passagem pelo Brasil e encantou os fãs com técnica, clássicos e sorrisos

Texto: Peu Bertasso

O último domingo (09) foi um importante dia para os fãs de power e prog metal do Brasil. Acompanhados de três bandas do cenário nacional, a esperada estreia do Conception em terras brasileiras finalmente aconteceu. Marcado originalmente para março e adiado por “circunstâncias fora do controle da banda”, a turnê latino americana do primeiro projeto de Roy Khan (vocal) finalmente aconteceu. Apesar de curta, contando com apenas três shows pelo México, Chile e Brasil, os noruegueses compensaram os anos de espera dos fãs com uma apresentação recheada de técnica e simpatia. As bandas brasileiras Ego Absence, Armiferum e Maestrick foram as responsáveis por agitar o público como atos de abertura.

Foto: Tamira Ferreira

Uma curiosidade que percorriam os presentes era sobre os horários das bandas de abertura. Haviam anunciado que as portas abririam às 18h e que o Conception tocaria às 21h. Pela lógica, os shows começariam logo depois da abertura das portas, o que não aconteceu. Foi apenas às 19:15 que a Ego Absence subiu no palco. Liderada pelo veterano vocalista Raphael Dantas (Ex-Caravellus, Perc3ption, Soulspell), o grupo de power metal paulista foi o responsável por iniciar a noite. Formado também por André Fernandes (baixo) e o excelente Augusto Bordini (bateria), a banda contou com o guitarrista Vandré Nascimento no lugar de Guto Gabrelon que não pôde participar do show devido ao nascimento de seu primeiro filho. Muito entrosados, o grupo apresentou músicas de seu único cd, “Serpent’s Tongue”, como “I am Free” e “G.O.D.”, além de uma belíssima performance de “Colibri” com a participação de Priscila Reimbergi (Valiria).

Foto: Tamira Ferreira

Logo na sequência, o Armiferum trouxe toda a força de sua música, muito influenciada por prog/power metal, preenchendo todo o palco do Carioca Club com seu line-up. Contando com Rafael Bochnia (baixo), Guto Cardozo (guitarra), Ivan Macedo (bateria), Fred Barros (guitarra) e Vithor Moraes (teclado), o grande destaque foi para o elogiado vocalista Ian Gonçalves que, misturando vocais limpos com guturais, traz um grande diferencial para o grupo. O setlist, composto por músicas de seu único disco “Reach For the Light”, teve faixas como “Climb the Mountains” e “Heavy Heart”, além de “Titans of Steel”, trilha que teve Pedro Zupo (Living Metal) como participação especial, cantor que entrou empunhando uma espada no palco.

Foto: Tamira Ferreira

Todas as bandas de abertura tocaram por volta de meia hora. Como os shows começaram depois das 19h, era possível de se imaginar que o Conception iria atrasar. Foi apenas às 20:40h que o Maestrick, última banda de abertura, subiu ao palco. O Maestrick é uma banda de prog/power metal que já tem alguns anos de carreira e dois excelentes discos lançados: “Unpuzzle!”, de 2011, e “Espresso della Vita: Solare”, de 2018. Porém, em preparação para seu novo lançamento, ainda sem data anunciada, a banda optou por tocar apenas músicas inéditas, além de seu último single, “Ethereal”, lançado neste ano. É possível de se imaginar a vontade da banda em apresentar um novo material para um público que talvez não o conheça, mas isso acarretou na decisão de ignorar os primeiros (e, mais uma vez, excelentes) discos anteriores da banda, decepcionando fãs que esperavam ver alguns clássicos do grupo. O show foi excelente e despertou a curiosidade dos presentes, mas acabou sendo morno, com pouca participação dos que assistiam, já que, pelo óbvio, não conheciam nenhuma música além do single. A decisão do grupo formado por Renato “Montanha” Somera (baixo), Heitor Matos (bateria), Guilherme Henrique (guitarra) e Fábio Caldeira (vocal) foi questionada por alguns fãs presentes. Não deixaram, de maneira nenhuma, de apresentar um excelente concerto, contando ainda com o anúncio, em primeira mão, da participação de Roy Khan no novo disco do grupo.

Foto: Tamira Ferreira

O show do Maestrick se encerrou por volta das 21:10. Vinte minutos depois, com trinta minutos de atraso, chegou finalmente o esperado momento da estreia do Conception em terras brasileiras. Acompanhado de Tore Østby (guitarra, ex-Ark), Ingar Amlien (baixo), Arve Heimdal (bateria), Roy Khan deixava transparecer a enorme alegria que sentia ao trazer sua banda ao país. O cantor, inclusive, esteve no Brasil recentemente, participando do show de Edu Falaschi em janeiro. “Grand Again” e “A Virtual Lovestory” foram as responsáveis por abrir o set. Desde a primeira banda, o Carioca Club já demonstrava que ficaria longe de sua lotação. Mesmo com o público estando em maior quantidade para o show dos noruegueses, o número de pessoas ainda era tímido. Nada disso importou para o grupo que, constantemente, agradecia pela presença de todos e comentava sobre a vontade de voltar ao país. O show continuou com “Waywardly Broken”, “No Rewind” e “The Mansion”, essa última contando com Aurora Heimdal (backing vocal) assumindo os vocais principais com Khan. Além de Aurora, a banda conta com Lars Kvistum (teclado) como músico de apoio. Lars, inclusive, passeava pelo Carioca Club durante os shows de abertura.

Foto: Tamira Ferreira

A excelente “A Million Gods” e “Quite Alright” vieram antes de uma parte acústica, mais intimista, com a banda sentada no palco para apresentar a belíssima “Silent Crying”, cantada em uníssono pelos presentes, e a animada “Sundance”. Muito simpático, Roy dedicou “Silent Crying” à produtora do show, contando a história de que ela ouvia essa música quando pequena com seu pai e que isso foi determinante para que a banda estivesse ali presente naquele momento. “Gethsemane” e “Parallels Minds” precederam “Feather Moves”, faixa que contou com o extremamente sorridente Tore Østby solando na guitarra enquanto caminhava no meio do público, tirando fotos e recebendo abraços dos fãs em um momento muito divertido do show. Roy, por vezes, agachava no palco para cantar próximo aos fãs que estavam colados no palco, lhes dando as mãos e até pegando celulares do público para fazer selfies. A banda não escondia que estava se sentindo em casa, felizes por finalmente estarem tocando no Brasil. “Reach Out” e “She Dragoon” foram as responsáveis por encerrar o setlist principal. Para o bis, a incrível “My Dark Symphony” e “Roll the Fire” foram as responsáveis por encerrar o excelente show.

Foto: Tamira Ferreira

Apesar de toda a técnica que o Conception apresenta, o grande destaque do show foi a conexão criada entre público e banda. Roy Khan e companhia estavam claramente emocionados pelas inúmeras vezes que o público gritava pelo nome da banda. Entre os fãs, comentários sobre a fineza da técnica apurada dos músicos eram ouvidos a todo o momento, principalmente para a “voz de Deus” de Khan. O atraso não foi suficiente para atrapalhar um momento tão histórico para os que acompanham Roy Khan além de sua bem sucedida passagem pelo Kamelot. Além disso, os shows nacionais que iniciaram a noite mostraram que o power metal ainda tem muita lenha para queimar na cena nacional. Apesar do número baixo de pagantes, um retorno do Conception para seus fãs brasileiros apaixonados é praticamente iminente.

Foto: Tamira Ferreira

Setlist – Conception

Grand Again

A Virtual Lovestory

Waywardly Broken

No Rewind

The Mansion

A Million Gods

Quite Alright

Silent Crying

Sundance

Gethsemane

Parallels Minds

Feather Moves

Reach Out

She Dragoon

 

Bis:

My Dark Symphony

Roll the Fire

Um comentário sobre “Conception estreia no Brasil com show memorável recheado de simpatia

  • Lamento pelo atraso, pois tive que perder o bis pra não perder meu ônibus de volta ao Rio (que acabou atrasando, no fim das contas). Saí de São Gonçalo-RJ para conferir o Conception e tenho zero arrependimentos. Roy Khan é uma força da natureza e esteve em forma exuberante! Parabéns pela resenha.

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