[Entrevista] The Cult: Banda já está no Brasil e conta sobre suas expectativas com os shows do fim de semana
Em entrevista para o Tramamos, o vocalista da banda The Cult, Ian Astbury conta sobre como é estar novamente no Brasil e o que ele espera dos shows no final de semana
Para celebrar os 40 anos de banda, o The Cult traz a sua turnê 8525 para o Brasil nesse final de semana. A banda toca hoje (22) no Rio de Janeiro, no Vivo Rio, amanhã (23) em São Paulo no Vibra SP e terça-feira (25) em Curitiba no Live Curitiba.
Nossa jornalista Tamira Ferreira conversou com o vocalista Ian Astbury por telefone e você confere abaixo como foi:
Ian: Olá, com quem eu falo?
Tamira: Oi! Meu nome é Tamira, sou do site Tramamos, como você está?
Ian: Cansado.
Tamira: Eu imagino.
Vocês já estão no Rio de Janeiro, como está por aí? Conseguiram sair pela cidade ou ainda não?
Nada! Estou preso no hotel. A gente chegou ontem à tarde, mais ou menos as 15h, ainda estamos com jetlag.
E tem dois shows, um hoje no Rio e um amanhã em São Paulo…
Em Curitiba também. Porém, a gente terminou 56 shows pela Europa, Austrália, Canadá e Estados Unidos.
Enquanto estava na Austrália, um membro da minha família faleceu.
Oh, eu sinto muito!
E quando voltamos para Los Angeles foi muito difícil, porque eu estava de luto, e tivemos as queimadas, tivemos que evacuar das nossas casas. Foi muito estressante.
De repente, estou ensaiando e voando para o Brasil.
Sim, 2025 começou com muitas coisas acontecendo, muita informação.
Sim, com certeza, e tem a questão das eleições, a política…
Aqui no Brasil estamos bem preocupados com tudo isso porque o que acontece nas eleições americanas nos reflete diretamente, então a gente está preocupado com o que vai acontecer.
Não apenas no Brasil, em todos os lugares, eu já falei com algumas pessoas aqui do Brasil sobre isso e todos estão passando pelo mesmo. Se você vive na Noruega, Ucrânia, Irlanda, Canadá, México, Austrália, todos estão vivendo esse temor existencial e preocupação.
E agora estamos vivendo um desastre ambiental.
Você está sentindo o calor aqui no Brasil, aqui é normalmente mais quente, mas não está normal tão quente assim.
Eu sei, eu vi Los Angeles cair com as chamas.
Eu não sei o que vamos fazer com isso.
Nós vamos lidar com isso! Beber mais água e não usar couro.
E estamos na época de carnaval. Hoje estou presa no meu quarto com tudo fechado para te entrevistar porque está tendo um bloco de carnaval na rua. Se eu abrir a janela, é possível ouvir a música tocando.
Sério? Isso é incrível!
Quando você chegar em São Paulo, irá conseguir ver o carnaval de rua.
Sim, estamos presos aqui na praia de Copacabana. A gente está sem assistência, sem transporte porque nosso assistente principal ficou preso em uma nevasca nos Estados Unidos.
Caramba!
Pois é! Nosso voo teve duas horas de atraso em Houston.
Essa é a oitava vez que vocês vêm para o Brasil, o The Cult veio para cá a primeira vez há mais de 30 anos. Como é essa relação de vocês com o Brasil e os fãs brasileiros?
Minha relação com o Brasil começou muito antes porque meu pai veio para cá como marinheiro em 1950, então eu sabia onde era o Brasil quando criança.
E eu cresci amando o futebol brasileiro.
Em 1966 o Brasil jogou em Liverpool, onde eu cresci, e Pelé estava jogando. Quer dizer, eu era muito novo para apreciar isso. Mas eu me lembro voltando da escola em 1970 para ver o Brasil jogar contra a Itália na Copa do Mundo, eu deveria ter seis ou sete anos.
Quando eu vivi no Canadá, eu vi o Pelé jogando pelo New York Cosmos.
Eu estava apaixonado por esse cara (Pelé), pelo seu carisma, a forma como ele se movia e jogava.
Acho que essa foi a maior experiência cultural brasileira, através do futebol.
Meu pai me contava histórias sobre o Brasil, especialmente sobre o Rio de Janeiro, de quando ele era jovem. Eram histórias muito loucas.
Eu sempre tive essa imagem do Brasil sendo um lugar muito apaixonante, louco e sensual.
Quando viemos para cá a primeira vez, eu fiquei encantado sobre o quão apaixonante as pessoas são e como os brasileiros são comunicativos. Como eles se movimentam, andam pela rua, como eles falam, é uma língua emotiva. Muito diferente da Europa.
Como vocês montaram o setlist para esse show pensando nos 40 anos de banda?
Foi difícil montar esse setlist porque são 11 álbuns de estúdio, em algum momento eu estava tentando deixar o set mais sombrio (risos), mais cinematográfico. Mas estava deixando de lado algumas canções que não poderia, a não ser que não funcione.
Algumas canções mais pesadas, outras dramáticas, é uma mistura.
E agora somos 4 membros, não temos mais o tecladista, então é mais cru, muito energético.
Eu vou passar o som para o show no Rio daqui uma hora. Vai ser um ótimo show.
Amanhã vocês tocam em São Paulo e terão um dia livre antes de Curitiba, vocês têm planos de fazer algo por aqui?
Acho que a gente tem um dia livre na segunda-feira, mas é segunda…
Mas é São Paulo, aqui é parecido com Nova Iorque, a cidade sempre está em movimento.
Eu não falo português, estamos sem guia. Honestamente, você fica preso no hotel e é tedioso.
As pessoas acham que você chega em uma cidade e sai para museus, galerias, festas, restaurantes, mas não é verdade. A verdade é que você é deixado no hotel e você precisa lidar com esse isolamento.
A não ser que você conheça a cidade e a língua, você passa muito tempo isolado.
Eu sou bom nisso porque eu tenho essa prática: eu leio, medito, eu treino artes marciais.
Isso é uma pena porque São Paulo é a maior cidade da América do Sul, então se vocês tiverem a chance de ver algo, mas não sei, só segunda.
Eu também não sei. Isso é muito difícil, por isso que tantos artistas morrem, porque ninguém cuida deles. Essa é a verdade!
A saúde mental dos músicos é muito difícil porque você dá muito de si durante a performance, toda a sua energia vai para isso.
Não estamos aqui para festejar, estamos pela performance, para isso você precisa de disciplina.
Quando éramos novos, não éramos disciplinados, nós estávamos destruídos o tempo todo, mas agora somos muito mais disciplinados.
Essas foram as minhas perguntas, não vou tomar mais o seu tempo, a gente se vê amanhã em São Paulo.
Estamos muito animados para ir para São Paulo, da última vez foi uma loucura, e estava bem calor também.
E vou me vestir para o calor (risos).
SERVIÇO
The Cult no Rio de Janeiro, 22/02/2025
Data: 22 de fevereiro de 2025
Local: Vivo Rio
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo, Rio de Janeiro – RJ
Ingressos: https://fastix.com.br/events/the-cult-rio-de-janeiro
The Cult em São Paulo, 23/02/2025
Data: 23 de fevereiro de 2025
Local: Vibra SP
Endereço: Avenida das Nações Unidas, 17955 – Vila Almeida – São Paulo, SP
Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/thecult-sp
The Cult em Curitiba, 25/02/2025
Data: 25 de fevereiro de 2025
Local: Live Curitiba
Endereço: Rua Itajubá, 143 – Novo Mundo, Curitiba – PR
Ingressos: https://fastix.com.br/events/the-cult-curitiba